
Obra escrita com apoio da Lei Paulo Gustavo (Edital LPG 08/2023 - Produção de Texto para Teatro)
Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Ministério da Cultura e Governo Federal - Publicação 28/02/2025
ISBN: 978-65-01-67970-9 - Download em: pardospapeis.storylab.cc
A ópera é um projeto artístico-político que coloca o corpo mestiço no centro da invenção de saídas para a crise socioambiental e climática, através de estratégias de superação definitiva do racismo. Pardos Papéis é uma tentativa de mobilizar respostas contracoloniais e ancoradas nas epistemologias do Sul Global e seus povos à crise multidimensional do século XXI e sua gravíssima expressão climática, que já vem cobrando um preço mais alto de quem tem menos culpa pelas causas da catástrofe. A mestiçagem torna-se uma força orgânica no contraponto às complexidades identitárias que caracterizam o debate político contemporâneo, fazendo assim provocações ao aparente deserto de imaginação política para fomentar ideias e arranjos novos capazes de mudar o rumo da catástrofe iminente.
O Quilombismo de Abdias Nascimento, a Amefricanidade de Lélia Gonzalez e o Teatro Dionisíaco de Zé Celso fundidos numa matriz cênica radial: o YÉKITLOCUS, YÉKITACTUS E YÉKITPESONAE.
O Vale do Jequitinhonha, é o território mítico na obra dramatúrgica, microcosmos de tensões, contradições e potência para iluminar os caminhos alternativos de adaptação e resiliência onde impera a vulnerabilidade.
Processo dinâmico de adaptação da obra à realidade local, fortalecendo periferias e zonas de sacrifício. Erguer, nas ruas, a insubmissão ancestral e futurista dos nossos corpos mestiços para destruir o necropoder, a colonialidade e o racismo.
Obra de Dramaturgia: Ópera Popular, com duração aproximada de 90 minutos.
Autoria: Ricardo Targino (Livre adaptação de Yékitbuk).
Pardos Papéis ressignifica o mundo ao propor uma inversão radical de valores: todas as espécies vivas precisam de água para sobreviver. A humanidade precisa aprender com as outras espécies a não depender do dinheiro, substituindo o capital pela água como principal valor. É uma "hidrocosmopolítica cósmica" onde povos originários e quilombolas se tornam a chave para repensar a sobrevivência e as tecnologias.
A obra confronta a falta de imaginação política nas crises que ameaçam nossa existência.
Um ritual que funde o ancestral e o futurista, onde cosmogonias não-ocidentais e potências revolucionárias convergem em renovação.
A obra surge como um contramanifesto diante das crises contemporâneas (ambiental, racial, existencial), aprofundando a discussão sobre a complexidade da "parditude" brasileira e seus múltiplos significados.
A mestiçagem é revisitada e analisada de forma crítica, desafiando a narrativa da democracia racial e explorando seu potencial como força de transformação social e identitária.
A filosofia Yékit materializa-se na ruptura com classificações coloniais, propondo transmutação e novas existências.
Convergência de sabedorias ancestrais e visões futuristas para corporalidades emancipadas e horizontes libertadores.
Conecta a devastação ambiental ao projeto colonial, propondo uma ecologia decolonial que protege corpos racializados e ecossistemas.
Confronta o racismo estrutural na sociedade brasileira, revelando mecanismos de poder que naturalizam a desumanização e desigualdades sistêmicas.
Invoca sabedorias e cosmogonias ancestrais como fonte de resistência e ética, conectando lutas passadas e presentes a futuros libertadores.
Desafia estruturas coloniais persistentes em instituições e subjetividades, confrontando padrões eurocêntricos de saber e poder.
Obra de ficção especulativa, matriz de construção
Eixo mítico-ritual, canto como tecnologia.
Acessibilidade ampla e holística, integrada à concepção
A obra entrelaça elementos numa dramaturgia híbrida, atuando como espetáculo, ritual e intervenção sociopolítica, adaptando-se a cada território. A obra aborda a complexidade racial brasileira, o racismo estrutral e ambiental, a crise climática, ancestralidade e colonialidade, buscando o do-in energético, nos pontos vitais do território.
Elementos naturais como narradores, criando portais entre tradição e contemporaneidade, reconectando a ciclos naturais e memórias coletivas.
Batimentos rítmicos com títulos como "Canto da Obscenidade", amplificando a dimensão sensorial-revolucionária.
Momentos de intensidade dramática onde contradições sociais convergem, materializando questões através de corpos-territórios.
Partituras para participação revolucionária, ancoradas em pedagogias críticas, dissolvendo a fronteira entre contemplação e agência transformadora.
A potência política da mestiçagem é a desconstrução das bases racistas do mundo e dessa consciência nasce o sistema filosófico Yékit (os papéis sendo rasgados prefiguram a descontrução das bases racistas do mundo colonial responsável pela extinção da sustentabilidade na Terra, pelas perdas de diversidade cultural e biodiversidade produzidas pelo aliciamento de todos os povos da Terra para o necromercado. É por isso que a obra erguemos, nas ruas, o palco da insubmissão ancestral e proclamamos o carnaval futurista do biopoder que emana de nossos corpos mestiços dançantes, assumindo o pardo papel que nos cabe: a destruição total de todos os necropoderes eivados de racismo que subsistem nos escombros da colonialidade.
Sua vocação é descolonizar as identidades e democratizar o espaço cênico. Transformar a plateia através da jornada ritualística para ressignificar histórias, resgatar memórias da ancestralidades e agir sobre o corpo do território de modo político-ritual.
O Multi-Papel provoca a fluidez identitária, confrontar ontologias coloniais e dilui as múltiplas camadas do ser em ato de libertação performática.
A "Bússola do Oykos" conecta elementos naturais e culturais às problemáticas. O êxito da ópera depende de pesquisa territorial aprofundada, sensibilidade cultural e atualização constante de dados. Assim, a performance "ilumina" e promove transformação social.
YÉKIT oferece ferramentas para mudanças profundas e sustentáveis em estruturas comunitárias, promovendo transformação coletiva e individual pela arte.
Esta filosofia forja a revolução Yékit, redefinindo o imaginário político e social com novas formas de existência e resistência cultural.
O YÉKIT convida criadores, artistas e comunidades a se apropriarem de seu poder transformador, catalisando novas narrativas e um futuro mais inclusivo.
Entrelaça aspectos éticos, estéticos, políticos, espirituais e ecológicos, reconhecendo a interconexão e a necessidade de uma abordagem holística para a transformação.
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A "lógica dos sólidos" perpetua a crise ambiental, transformando a vida em objetos comercializáveis: terra vira "território" e água, "recurso". No Vale do Jequitinhonha, isso se manifesta como necromineração, uma atividade que promove a morte e injustiça climática para acumulação de capital.
Um "mundo de papel", com licenças e EIAs, fabrica uma fachada de legalidade, congelando realidades fluídas em categorias coloniais.
A ópera "Pardos Papéis" intervém para "fluidificar" essa rigidez, deslocando a verdade do documento estático para a realidade fluida do corpo e território.
Dissolve estruturas coloniais e burocráticas que legitimam o dano ambiental.
Reescreve a lei, movendo-se da proibição estática para monitoramento, responsabilização e regeneração dinâmica.
Adota o conceito Yékit para uma ruptura ontológica, aceitando o fluxo como modo de existência e resistindo à necropolítica com biopolítica regenerativa.
A estética busca operar como uma contra-pedagogia sensorial, recusando o universalização de padrões eurocêntricos e a sensorialidade colonial para reengajar as sensibilidades suprimidas como ferramentas de insurreição estética e cultural.
Canto como infraestrutura de vida: não é ornamento; é dispositivo que mantém o povo vivo e o mundo em ação (canto = tecnologia de permanência).
YékitActus como processo cênico (fluxo não-substantivo, vérbico): são “posições” e “devires” com troca de corpos, superposição, substituição — exatamente o que você chama de YékitPersonae Multipapel.
Sistema contrário à síntese: em vez de tema→variação→fecho, há ramificação aberta, divergência cultivada, “diferença como método” — isso é a tua anti-linearidade (espiral) no nível musical/dramatúrgico.
Transformação sem assimilação: o “virar outro” não é fusão nem perda; é adição, suplementação, reversibilidade — isso casa com teu “rio para dentro” e com o Tribunal que não fixa identidades.
A Yékit Ópera propõe uma jornada ritualística e performática que catalisa a transformação individual e coletiva. Utilizando o Astrolábio Transmídia do Yékitbuk, uma ferramenta inovadora, os participantes são convidados a transcender a passividade e se tornarem cocriadores ativos, acessando um verdadeiro portal dimensional para a construção de novas realidades.
Essa arquitetura multissensorial, construída a partir da arte e da ritualidade, opera como um centro político ativo. Utiliza a beleza não apenas como contemplação, mas como uma geometria catalisadora de transformações sociais profundas, abrindo caminhos para novas formas de existir e interagir coletivamente.
A obra transforma o ambiente urbano em um centro cerimonial e laboratório vivo, para resgata saberes ancestrais e criar espaços de resistência e inovação ativa.
O coração ritual, irradiando energia que conecta a memória coletiva e visões de futuro, impulsionando a experiência no "Yékit Locus" com ancestralidade e potência criativa.
Um portal que amplifica a energia central, guiando o público através de rituais. Convida à participação ativa, dissolvendo barreiras entre observador e performer para uma imersão profunda.
A plateia se torna cocriadora ativa. Suas interações e respostas comunitárias ressignificam a performance, impulsionando uma contínua revolução estética e social para além do espaço cênico.
Um corpo em constante metamorfose, que transcende categorias fixas e abraça a fluidez, ressignificando continuamente a existência individual e coletiva.
A trama de relações, afetos e saberes que une Yékits em uma coletividade orgânica, interdependente e resiliente, celebrando a vida em comum.
Um repositório dinâmico de memórias, rituais e tecnologias afro-indígenas, que pulsa no presente e guia o caminho para futuros descolonizados.
O espaço onde a resistência contra as lógicas coloniais e a afirmação da autodeterminação se manifestam através de práticas corporais e estéticas revolucionárias.
O propósito inicial do Yékit é a forja de um corpo coletivo, um espaço de união e força que transcende as divisões impostas pelas narrativas coloniais.
Através da ação e da resistência, o Yékit catalisa uma revolução que transforma as estruturas opressoras e redefine a própria existência.
Ao cumprir sua missão, o Yékit se dissolve, não em esquecimento, mas na plenitude de um mundo pós-racial, onde a unidade é inerente.
é um ritual teatral coletivo que transcende convenções e desmantela estruturas coloniais, convidando à participação plena de todos.
Dissolve as fronteiras tradicionais entre atores e público, transformando cada participante em um co-criador ativo de territórios insurgentes.
Recupera e honra saberes ancestrais apagados pelo colonialismo, promovendo uma profunda cura coletiva e a reconexão vital com a terra e a ancestralidade.
Catalisa metamorfoses profundas através da energia e presença compartilhada, despertando potências latentes em corpos-territórios historicamente silenciados.
A ação se desenha em espirais sagradas e contínuas, entrelaçando memórias ancestrais e futuros libertários para romper o pensamento linear e cartesiano.
Busca pela restauração dos traumas coloniais e ressignificação da dor histórica, promovendo a libertação e o bem-estar coletivo através de práticas ancestrais de cuidado.
Consiste na ocupação estratégica do espaço público e na subversão das linguagens hegemônicas, desmantelando estruturas de dominação e afirmando identidades marginalizadas.
Implica na reescrita radical de narrativas históricas e culturais,para a criação de futuros diversos e a emergência de novas formas de existência e pensamento.
Foca na religação com saberes ancestrais, muitas vezes apagados ou silenciados, reativando tecnologias de existência milenares.
Reivindicamos a metamorfose contra as identidades coloniais fixas e opressoras. A fluidez identitária não é apenas um escape, mas um ato revolucionário que desafia categorizações e abre caminho para novas formas de ser e existir.
Nesse contexto, celebramos a interconexão profunda entre todos os seres e a vulnerabilidade como fontes intrínsecas de potência. Reconhecer nossa dependência mútua impulsiona a libertação coletiva e a construção de comunidades mais resilientes.
Recuperamos percepções e sensibilidades suprimidas pelo pensamento ocidental hegemônico. Isso significa liberar os sentidos da racionalidade cartesiana, reativando canais perceptivos ancestrais que nos conectam à sabedoria do corpo e do ambiente.
Resgatamos e re-significamos movimentos e expressões corporais que foram historicamente criminalizados e estigmatizados. Cada gesto se torna uma insurgência, um território de re-existência que carrega consigo memórias ancestrais e projeta futuros possíveis.
Em "Pardos Papéis", o conflito central é entre a "verdade do papel" e a "verdade da terra", expondo a farsa do consentimento colonial e a violência burocrática.
Representa a ficção do consentimento, onde documentos oficiais legitimam a mentira e ignoram os danos reais, ocultando a violência inerente ao "progresso".
Guarda a verdade ancestral e a memória viva. Seu grito de justiça expõe a corrupção do Estado e as falsas autorizações, exigindo perícias independentes.
A forja de um corpo-coletivo territorial é o processo de insurreição biopoética e política que funde a identidade das comunidades com a materialidade e fluidez do território. Este corpo não é uma unidade estática, mas um "corpo-multidão" em fluxo constante, forjado na resistência contra a colonialidade e o racismo ambiental.
Esta é a base do corpo-coletivo: uma fusão estratégica e ontológica entre a aldeia indígena (Tikmũ’ũn) e o quilombo negro. Refuta as categorias coloniais e une saberes da terra, do barro e do espírito para criar uma infraestrutura comunitária autônoma, capaz de existir à margem do Estado. O DNA do povo do Vale funciona como um arquivo dessa resistência, transmutando a "cicatriz biológica" da violência em potência contracolonial.
Diferente da lógica ocidental de identidades fixas, este corpo-coletivo é hídrico e recursivo. Opera sob a máxima de que "o povo dá nome ao rio que nomeia o povo", estabelecendo que ser, água e técnica são a mesma substância. O coletivo não apenas habita o território, ele é o próprio ciclo hidrológico (Oykoshydrokosmos), onde a circulação da vida substitui a ideia de migração ou posse da terra.

As feridas abertas no solo pela mineração e na sociedade pela colonialidade não são meros danos, mas portais de insurgência. Por essas fendas, a sabedoria ancestral e a vida brotam, recusando a estagnação imposta.
O jequi, enquanto tecnologia de permeabilidade seletiva, atua como um filtro cósmico. Lançado na "correnteza da história", ele retém a autonomia e os saberes vitais, enquanto purifica as águas tóxicas do necropoder.
O Corpo-Território carrega a "semente do povo", um DNA cultural e biológico que germina nas adversidades. Cada gesto de resistência é um ato de plantio, transformando zonas de sacrifício em territórios de ressurreição.
Inspirado nas plantas que crescem na rocha, o Corpo-Território forja sua existência na escassez. É a demonstração viva de que a vida não espera condições ideais, mas floresce nas fendas do sistema, reencantando a terra contra os "desertos verdes".
A desaparição do Yékit é a sua maior vitória, significando a realização plena de seu ideal: um mundo onde as categorizações raciais perdem o sentido e a verdadeira pluriversalidade floresce. Até lá, seremos a ocupação dançante de nossos corpos mestiços.
Nos movimentos circulares e rituais, um corpo social dançante emerge, tecendo auras de consciência expandida. Esses gestos canalizam a sabedoria ancestral e forças regenerativas, vitalizando a comunidade e o ambiente ao seu redor.
Como rios de esperança, a marcha celebra a liberdade coletiva. Cada passo é uma jornada que conecta o passado ancestral ao futuro que se constrói, desenhando a cosmologia Yékit em formações espirais contínuas.
Gestos de solidariedade e mãos unidas revelam uma profunda interdependência que nutre a transformação social. Com intenções cristalinas, esses atos restauram equilíbrios e curam feridas coletivas, promovendo a coesão e o bem-estar.
O Vale do Jequitinhonha é um território simbólico de tradições milenares, resistência e renovação. A performance o evoca como um estado de espírito, capaz de florescer em condições áridas, transformando escassez em abundância pela criatividade coletiva. É a essência do "ser yékit": encontrar na contradição a semente para a transformação profunda.A obra entrelaça falas poéticas, "sussurros estatísticos", melodias, pausas ancestrais, danças e projeções, celebrando a potência criativa que surge da escassez material, através de uma rica tapeçaria de elementos artísticos.
As artesãs do Vale, com seu conhecimento ancestral, transformam a terra árida em arte vibrante, simbolizando a capacidade de criar beleza a partir da escassez.
O rio Jequitinhonha personifica a resiliência do povo, fluindo através de histórias de dor e superação, e alimentando a constante renovação cultural.
Assim como a natureza do Vale, a criatividade coletiva permite que a prosperidade floresça mesmo em solos áridos, um verdadeiro testemunho do espírito "yékit".
A contradição é vista não como obstáculo, mas como a própria semente para uma profunda transformação, gerando novos modos de existência e expressão.
Como terra-corpo e corpo-território, o Vale abriga e perpetua tradições que tecem narrativas da potência nascida da escassez e da capacidade humana de ressignificar.

Um corpo-coletivo para a imaginação rupícola, inspirada nas plantas que verdejam diretamente sobre a rocha, sem solo, nas "rachaduras" do sistema colonial — as fendas abertas pela mineração e pela crise climática. Nessas brechas, lítio não como mercadoria, mas como uma "ignição redentora" e memória geológica para despertar novos mundos. A coesão do corpo é mantida pela "socyotéknika do canto", inspirada no dueto antifonal do pássaro Japacanim.
No universo Tikmũ’ũn, ninguém canta sozinho; a sobrevivência exige sincronia e coordenação no canto entre humanos e não-humanos. Cantar é a tecnologia que impede a fratura do mundo e mantém o fluxo frente ao "deserto da imaginação política", como um micélio subterrâneo: ele conecta diferentes seres (quilombos, aldeias e periferias) de forma invisível mas poderosa, decompondo a matéria morta do sistema colonial para fazer brotar, nas rachaduras do asfalto e da pedra, a floresta vibrante de um futuro pós-capitalista.
Reconfigura o distanciamento brechtiano, utilizando-o não para alienar, mas para provocar uma reflexão crítica que se converte diretamente em ação coletiva transformadora, engajando o público na construção de novas realidades.
Música insurrecional que, além de ativar consciências e corpos, resgata a potência dos antigos Centros Populares de Cultura. É um chamado à participação e à celebração da diversidade cultural como forma de resistência e empoderamento.
Através da horizontalidade radical e de gestos simbólicos que desestabilizam hierarquias tradicionais, esta performance reconstrói os tecidos sociais, promovendo a coesão e o reconhecimento mútuo entre os participantes, fomentando uma nova organização comunitária.
A perspectiva contracolonial revela mundos que já existem e florescem além do sistema dominante. Estes não são utopias distantes, mas realidades alternativas que se manifestam nas intrincadas teias de relações sociais, culturais e espirituais forjadas pelas comunidades que resistem à homogeneização imposta pelo sistema hegemônico. Suas características incluem a valorização da diversidade, a interdependência e a circularidade, em contraste com a linearidade e a fragmentação promovidas pela lógica colonial.
A resistência ao sistema hegemônico ocorre através da revitalização de saberes ancestrais e da reinvenção de práticas comunitárias, que se tornam bastiões de autonomia e dignidade. Nessas realidades, a conexão com a terra, os ciclos naturais e a ancestralidade não são meros elementos folclóricos, mas pilares de uma cosmopercepção que guia a ação política e a organização social, permitindo a construção de futuros plurais e justos, onde a vida é celebrada em todas as suas formas.
O ritual coletivo emerge como tecnologia ancestral de transformação social, ativando corpos e mentes. Ele ressignifica a espiritualidade como um ato de resistência e construção de novas realidades políticas e culturais.
Linguagens artísticas acessam dimensões que escapam às categorias analíticas, oferecendo caminhos para a compreensão e a conexão profunda. A arte se torna um espaço vital para o diálogo intercultural e a expressão de realidades suprimidas.
Múltiplas formas de conhecimento coexistem em diálogo e reinvenção contínua, valorizando a diversidade epistemológica. Reconhece-se que diferentes cosmovisões são fundamentais para a construção de soluções complexas e sustentáveis.
Saberes ancestrais e contemporâneos se entrelaçam em harmonia, fomentando uma percepção mais profunda da realidade. Essa fusão expande nossa compreensão do mundo, integrando visões diversas e interconectadas.
Celebramos a totalidade do conhecimento, valorizando a sabedoria de múltiplas fontes. Rejeitamos a hierarquia eurocêntrica que desqualifica outras formas de compreensão do mundo, promovendo um intercâmbio equitativo de ideias.
Dançamos e criamos no ritmo do "nós", inspirados pela filosofia Ubuntu. O sucesso individual é percebido como uma conquista coletiva, fortalecendo os laços comunitários e a memória ancestral que nos guia.
Integramos mente e corpo como uma unidade indissociável, superando as divisões artificiais impostas por filosofias cartesianas. Em nossa prática, o corpo teoriza e a mente dança, expressando um conhecimento holístico e vivido.
Ontem, hoje e amanhã se encontram em constante diálogo. Nossos ancestrais caminham conosco em uma temporalidade não-linear, onde cada apresentação é um momento de Sankofa, revisitando e resignificando o passado para construir o futuro.
O Sistema Cênico Yékit, com apenas 10 corpos em cena, gera mais de 25 constelações de personagens, redefinindo o paradigma teatral.
10 corpos em cena geram múltiplas identidades, otimizando recursos. Transforma o finito em expressão cênica infinita.
Identidades transitórias e interconectadas subvertem o individualismo teatral, promovendo a fluidez identitária como um ato de liberdade.
Cada metamorfose cênica ressoa com arquétipos ancestrais, ativando o inconsciente coletivo. Essa plasticidade transforma o impossível teatral em realidade.
PARDOS PAPÉIS propõe uma vivência cênica transformadora através de três dimensões complementares: circular, imersiva e insurgente.
A experiência rompe paradigmas teatrais em três vertentes:
Desestabiliza o teatro linear, criando espaços não-hierárquicos. Integra a filosofia Yékit, onde passado, presente e futuros coexistem, ressignificando as tradições afro-diaspóricas e sua circularidade intrínseca.
Mobiliza todos os sentidos e emoções, superando a primazia da razão. Transforma espectadores em co-criadores ativos, utilizando tecnologias ancestrais e contemporâneas para intensificar a presença e ativar novas sensibilidades políticas no espaço urbano.
Resiste ativamente ao racismo estrutural, à crise climática e às heranças da colonialidade. A performance prefigura a construção de outros mundos possíveis através da experiência coletiva e compartilhada. Atua na recuperação de saberes e narrativas silenciadas, afirmando os corpos racializados como potentes agentes de transformação social e cultural.
Promove a emergência de saberes e práticas coletivas que desconstroem o individualismo, fomentando uma consciência mútua e criando redes profundas de pertencimento e suporte entre todos os participantes.
Expressa a manifestação de corporeidades fluidas que se movem livremente entre planos visíveis e invisíveis, transmutando identidades e percepções, e revelando a interconexão entre o mundo material e o espiritual.
Permite a coexistência de presenças na espiral do tempo, unindo memórias ancestrais, heranças culturais e futuros insurgentes em um presente contínuo e dinâmico, desafiando a linearidade.
Atua como catalisador de metamorfose profunda, irradiando princípios vitais e gerando epifanias que despertam novas formas de ser e interagir com o mundo.
O Yékitbuk propõe uma revolução biopoética no Vale do Jequitinhonha, integrando saberes ancestrais e visões futuristas para construir um futuro mais justo e orgânico através da arte.
Materializa-se em personagens e ações performáticas, convertendo conceitos teóricos em uma prática cultural e social vivenciada por todos.
A performance teatral atua como catalisador, plantando as sementes da mudança e estimulando novas formas de expressão e interação no espaço urbano.
Integra diversas linguagens como poesia, dança e tecnologias digitais, fomentando um diálogo profundo entre ciência, arte e espiritualidade ancestral.
O espaço público é ressignificado como um quilombo efêmero, desestabilizando hierarquias e materializando novas formas coletivas de habitar e interagir na cidade.
A yékit-revo-luta representa uma insubmissão dançante, que une a força ancestral e a visão futurista para desmantelar criticamente as estruturas coloniais e promover a libertação individual e coletiva.
Conecta saberes ancestrais e futuros emergentes, rompendo com a linearidade ocidental para uma percepção mais ampla do tempo.
É um amálgama potente de resistência política e criação artística, que gera novos mundos e realidades possíveis.
Manifesto que busca reconexão com ciclos naturais da vida, resistindo ao capitalismo extrativista e à desertificação do imaginário político-social.
Gesto performativo de libertação que desfaz classificações raciais impostas. Desconstrói documentos coloniais em favor de autodefinição e força ancestral.
Abordagem teatral que mobiliza tecnologias ancestrais afro-indígenas como ferramentas contemporâneas, conectando saberes tradicionais e urgências atuais pela corporeidade ritual.
Berço metafórico de tradições culturais que dialogam com urgências contemporâneas, simbolizando a resistência mestiça brasileira em seus ofícios, cantos e sabedorias populares.
"Não somos humanos, somos yékits!" A categoria "humano", tal como concebida pela modernidade ocidental, é uma construção colonial. Ela foi historicamente utilizada para justificar a aniquilação de outras espécies e a exploração do mundo, carregando sombras colonizadoras e servindo como instrumento de segregação e hierarquização. Na condição Yékit, reinventamos nossa relação com o tempo, o espaço e a matéria, descolonizando pensamentos e a própria experiência sensorial. Abrimos, assim, portais para modos de ser e existir que foram sistematicamente negados e oprimidos pela modernidade ocidental.Humanos São Eles: os arquitetos e perpetuadores do Colonialismo, da Escravidão e da "Invenção da Natureza" como algo a ser dominado.
Nós Não Somos Humanos Porque Não Queremos Ser Iguais a Eles do Colonialismo, da Escravidão e da "Invenção da Natureza" - a máquina do necropoder.
União indissolúvel de todos os seres, onde a individualidade se dissolve nas teias complexas das relações e ecossistemas. Reflete a visão de que somos parte de um todo maior, não entidades isoladas.
Circularidade onde o ancestral e o futuro coexistem no presente. O passado não é linear, mas um guia constante que informa e molda as ações do agora, conectando-se a futuras possibilidades.
Foco no bem-viver coletivo e na reciprocidade. O território é percebido como uma extensão viva do ser, resistindo ativamente às lógicas de dominação e exploração de recursos.
No cosmos Yékit, reacomodar textos é um ritual sagrado que subverte hierarquias coloniais. Esta alquimia une corpo e palavra, gerando potências libertadoras no tempo-território, revelando uma nova forma de habitar e interagir com o mundo. Esta práxis materializa a cosmovivência Yékit através de geometrias revolucionárias e interconexões profundas. Corpos, palavras e territórios entrelaçam-se em uma dança cósmica e incessante, tecendo redes de libertação e novos horizontes de existência.
Desestabiliza o saber colonial, contestando narrativas dominantes para criar novas constelações de significado e territórios de insurreição cognitiva, fundamentadas em outras lógicas e vivências.
Supera a linearidade ocidental, conectando passado e futuro em um fluxo contínuo de regeneração contracolonial, onde os ciclos da natureza e da vida guiam a evolução.
Dissolve a autoria individual em uma criação coletiva e partilhada, onde cada participante gera significados que fluem livremente entre corpos e consciências, fortalecendo os laços comunitários.
Converte palavras em sementes rebeldes, que florescem em ecossistemas contracoloniais enraizados no Vale do Jequitinhonha, promovendo a autonomia e a diversidade cultural.
"Não somos humanos, somos yékits! Humanos são eles do colonialismo e da escravidão, que extinguiram a sustentabilidade e o equilíbrio ecológico por onde passaram."
A obra, através dessa provocação, diferencia modos de existência, propondo uma cosmologia política vital para além das lógicas ocidentais:
Em Pardos Papéis, as personagens são potências ancestrais que formam o Yékit Personae – singularidades plurais na arquitetura cósmica das relações. Os corpos em cena são memórias coletivas e sabedorias silenciadas, arquivos vivos que rompem a linearidade colonial.
Estes vórtices funcionam como portais ou pontes, unindo o plano material e o espiritual, o tangível e o etéreo. Eles revelam a interconexão de diferentes camadas da existência, permitindo o fluxo de sabedorias e energias entre mundos.
As espirais temporais transcendem a linearidade do tempo, entrelaçando a rica herança ancestral das personagens com a projeção de futuros possíveis e libertários. Elas desafiam narrativas coloniais ao reativar memórias e projetar novas possibilidades.
Estas corporeidades não são meros corpos físicos, mas sim complexas geometrias relacionais que manifestam a interconexão de tudo. Pulsam com uma energia vital que transforma e redefine a realidade, resistindo à fragmentação imposta.
Na epistemologia Yékit, estas presenças são pontos de convergência e irradiação, materializando a cosmologia viva da obra e expandindo a compreensão sobre o ser e o existir.
A obra utiliza um sistema "Multi-Papel", onde intérpretes encarnam energias interconectadas, refletindo a complexidade de entidades-força.
Estrutura polimórfica (tribunal, corporação, algoritmo) que materializa a necropolítica, exercendo poder sobre vidas e territórios, definindo o que é descartável e o que pode prosperar.
Coletivo da mestiçagem que, através dos intérpretes, canaliza consciência e resistência. Expressa-se por movimentos, percussão e vocalizações, ativando memórias ancestrais do Brasil profundo.
Manifesto transformador que se revela na dança-texto, funcionando como um catalisador de mudanças. Ele pavimenta o caminho para futuros libertários, fundamentados em justiça socioambiental e sabedorias ancestrais.
Estas potências transcendem individualidades, tecendo o manto revolucionário da obra e conectando memória ancestral com estruturas de poder numa cosmologia viva:
Liderança quilombola atemporal, portadora de saberes milenares de cura e resistência. Ela personifica as "parditudes" como uma força primordial irradiando dos territórios insurgentes.
Entidade mineral que reflete a dualidade dos recursos naturais: um portal para a vida e tecnologia, ou um abismo de exploração. Transmuta-se entre cristalizações ancestrais e fluidez tecnológica.
Contraponto ao esquecimento colonial, ela transcende fronteiras temporais com sua voz-canção. Reverbera sabedorias silenciadas, mobilizando forças transformadoras ancestrais.
Estas forças coletivas no Yékit Cosmos manifestam potências ancestrais, unindo sabedorias quilombolas e afro-brasileiras para traçar horizontes libertadores.
A corporeidade Yékit vai além da estética, configurando-se como um ato político essencial que molda e manifesta novas formas de existência e interação no mundo, o corpo Yékit se configura como um laboratório de experimentação política, prefigurando novos mundos e formas de existência coletiva em constante libertação e reinvenção.
O corpo Yékit insurge ativamente contra as hierarquias coloniais de raça, gênero e capacidade. Torna-se um poderoso veículo de contestação, amplificando a visibilidade e as vozes de corpos historicamente subalternizados e marginalizados.
A metamorfose contínua da corporeidade Yékit age como um movimento revolucionário que resiste à imposição de identidades fixas. Ao desafiar a estabilidade e a normatividade, desmantela os aparatos de poder que buscam categorizar e controlar a existência.
A prática Yékit celebra a vulnerabilidade e a profunda interconexão entre todos os seres, humanos e não-humanos. Essa perspectiva radical desmantela o mito do indivíduo autossuficiente, confrontando as lógicas capitalistas que promovem a competição e o isolamento.
Ao abraçar a ambiguidade e a fluidez, esta corporeidade subverte os binarismos ocidentais rígidos, como corpo/mente, homem/mulher ou natureza/cultura. Isso promove uma existência mais libertária que confronta categorizações coloniais e opressoras.
No Sistema Cênico Yékit, tecnologias de transição e portais transformacionais são a essência da multi-presença. São sabedorias ancestrais que transformam o corpo do intérprete num território de convergência para presenças plurais e forças revolucionárias.
São rituais que transmutam vulnerabilidades individuais em potente expressão cênica. Cada passagem é uma celebração do que se foi e do que emerge, conectando facetas distintas do ser em um fluxo contínuo de novas possibilidades performáticas e emocionais.
Máscaras, cetros e mantos não são meros adereços, mas portais que convidam a alteridade a se manifestar. Atuam como extensões entre dimensões, amplificando o espectro expressivo e incorporando memórias arquetípicas que intensificam a presença cênica do corpo.
Gestos-matriz e um vocabulário cinético singular garantem fluidez e autenticidade através das metamorfoses. Esta topografia somática permite navegações orgânicas entre territórios identitários, preservando uma coerência energética profunda mesmo em meio às contradições.
A dramaturgia se desdobra em espiral sagrada, materializando reconhecimento, resistência e reconstrução territorial. Cada ato vibra na cosmologia Yékit, fluindo entre confrontação, revelação e celebração como partes do mesmo ciclo cósmico. Esta arquitetura transcende a cronologia ocidental, encarnando a concepção Yékit de tempo espiralado. Passado, presente e futuro fundem-se num continuum de potências revolucionárias, formando uma geometria de libertação coletiva.
Este ato revela as feridas coloniais através de "gritos estatísticos" corporificados, transformando dados brutos em expressões viscerais que cartografam as cicatrizes sociais e históricas.
Luminosidade e aprendizado emergem no Tribunal dos Papéis, contestando a classificação racial e resgatando epistemologias silenciadas para uma ecologia de conhecimentos plurais.
O enfrentamento com forças opressoras culmina na Constelação Parda, uma nova configuração de poder coletivo. A corporeidade intensifica-se, convertendo opressão em potência criativa e regenerativa.
Uma celebração coletiva em música-dança materializa um futuro onde corpos-territórios descolonizados vibram em harmonia, multiplicando uma revolução estética e dissolvendo-se na pulsação urbana.
Estas práticas manifestam princípios essenciais da obra, conectando sabedorias ancestrais às urgências do presente:
Uma celebração de renovação e da perene continuidade vital. Os participantes plantam sementes, firmando um pacto ecológico com a terra que transcende a fugacidade da performance e enraíza o futuro coletivo.
Através de fitas e cordões, tecem-se geometrias de profunda interdependência e solidariedade. Inspirada na sabedoria da tecelagem ancestral, esta rede viva revela os inquebrantáveis vínculos entre corpos e territórios, simbolizando união e resistência.
Inscrições corporais que se tornam um manifesto vivo de memória e resistência. Com pigmentos naturais da terra, os corpos transformam-se em territórios simbólicos através de grafismos sagrados, afirmando a ancestralidade e descolonizando as tradições indígenas e africanas.
A participação é a essência desta obra, transformando a experiência através da interação e de princípios fundamentais:
O público transita de testemunha a co-criador, dissolvendo fronteiras entre arte e vida para uma imersão completa.
Códigos gestuais do coro/guias integram a coletividade, usando sabedorias ancestrais para construir pontes e significados.
A logística urbana transforma-se em arquitetura do ritual, incorporando imprevistos como elementos da dramaturgia.
Esses pilares guiam a interação, onde a vulnerabilidade é fonte de potência, as tradições locais são honradas, e as configurações espaciais promovem encontros e liberdade coletiva. Essa arquitetura participativa materializa a utopia, co-criando novas realidades.
Esta obra emprega uma estética contracolonial, integrando princípios ancestrais para transcender fronteiras através de duas dimensões:
A obra equilibra todos os sentidos (tato, olfato, paladar, audição e visão), desafiando a primazia do olhar ocidental. Isso restaura a experiência estética como uma jornada corporal e imersiva, conectando-se a memórias e saberes ancestrais.
A separação entre criador e público é eliminada, transformando todos em participantes ativos na construção do significado. Honrando a fluidez das culturas não-ocidentais, esta dimensão resgata o aspecto ritual da arte, promovendo coesão social e resistência à mercantilização e à violência colonial.
Yékit é uma insurreição epistêmica que materializa organizações sociais a partir de saberes ancestrais suprimidos.
Desestabiliza estruturas de poder pós-coloniais, expondo hierarquias racializadas e marginalizações em instituições, linguagem e micropolíticas do cotidiano.
Revitaliza sistemas indígenas e afrodiaspóricos de reciprocidade, comunitariedade e bem-viver, contrapondo os modelos eurocêntricos e capitalistas esgotados.
Resgata e honra histórias de luta obliteradas, criando arquivos vivos que alimentam movimentos contemporâneos por justiça social e autodeterminação.
Inspira-se em práticas ancestrais como quilombos e terreiros, onde a solidariedade, a circularidade e a ancestralidade geram alternativas ao paradigma ocidental dominante.
Articula soberanias compartilhadas e desafia a concepção de fronteiras fixas, evocando cidadanias plurais e identidades em constante movimento, para além dos conceitos geográficos hegemônicos.
A práxis decolonial integra ética, estética e política, fundindo teoria e prática em uma criação multidimensional que transforma a existência individual e coletiva.
Cura traumas coloniais através de rituais e saberes ancestrais, reconectando comunidades à sua resiliência e reativando energias vitais.
Cria territórios autônomos e "zonas de fronteira" que fraturam o pensamento hegemônico, contrapondo estruturas de dominação.
Reescreve narrativas dominantes, expandindo horizontes pela imaginação política e rompendo a monocultura mental colonial.
Religa saberes ancestrais às lutas contemporâneas, tecendo redes que permitem a coabitação de múltiplas formas de existência.
Na cosmologia Yékit, o corpo é território vivo de libertação, superando a condição de alvo colonial.
O corpo é um espaço vital de resistência, carregando uma memória ancestral que não apenas desafia a dominação, mas também se recusa a ser subjugado, afirmando sua soberania e história.
Move-se e adapta-se através de diversos espaços, criando aberturas e fissuras significativas na ordem opressora, e protegendo ativamente saberes e práticas contracoloniais para as futuras gerações.
Trabalha ativamente na reconstrução da teia comunitária, fortalecendo laços e superando as fronteiras geográficas e sociais artificialmente impostas pelo projeto colonial para fragmentar identidades.
Serve como um portal que integra profundamente a sabedoria ancestral com visões de futuros possíveis, transcendendo a concepção linear do tempo e revelando outras formas de existência e conhecimento.
Verbo: Inspirar. A crise contemporânea se manifesta na asfixia e poluição do ar, tanto física quanto metaforicamente. A regeneração ocorre através da respiração ritual e coletiva, reoxigenando as consciências e promovendo a circulação de novas ideias e esperanças.
Verbo: Purificar. Diante da crise dos rios e águas contaminadas, a regeneração busca a lavagem e purificação coletiva. Este processo não é apenas físico, mas também de memórias ancestrais, limpando traumas e restaurando a clareza emocional e espiritual.
Verbo: Incendiar. Contra as queimadas e a mineração predatória que devastam nossos ecossistemas, a regeneração invoca o Fogo-Sagrado-Zé. Este fogo simboliza a paixão transformadora, a coragem para acender novas narrativas e a potência ancestral de revitalização cultural.
Verbo: Plantar. Em resposta à crise dos solos exauridos e à desconexão com a natureza, a regeneração se manifesta no plantio simbólico de futuros. Trata-se de enraizar novas práticas, cultivar a resiliência e nutrir a esperança de uma existência mais plena e conectada à terra.
O Oykos é um framework de reorientação ético-ecológica, um "Teatro da Bússola" inspirado nas bússolas quilombolas, que redefine o 'Norte' como nossa casa comum e organismo planetário vivo, catalisando transformações e a regeneração planetária.
Propõe uma reorientação de valores, promovendo uma compreensão sistêmica e profunda de nosso lar planetário e das interconexões da vida.
Catalisa o resgate e a disseminação de saberes ecológicos ancestrais, essenciais para a reconexão com a vasta e interligada teia da vida.
Atua como um elo para reconectar vínculos ancestrais com a natureza e com a profunda sabedoria inerente aos seus ciclos e sistemas.
Revitalizamos a noção grega de 'oikos' (raiz de ecologia e economia), onde os seres humanos se reconhecem não como separados, mas como parte integrante e interdependente da teia da vida em nosso lar planetário.
Os elementos cênicos funcionam como dispositivos rituais, entrelaçando dimensões abstratas e concretas para transformar vivências singulares em experiências coletivas, convidando à participação ativa e à reflexão.
Uma interface simbólica que transcende a mera observação, convidando espectadores a se tornarem co-criadores. Ela materializa a responsabilidade partilhada, manifestando visualmente os elos formados e os compromissos assumidos coletivamente.
Uma composição espacial fluida que corporifica a interdependência e a organicidade das relações. Através dela, as hierarquias espaciais tradicionais são dissolvidas, permitindo que cada participante perceba e contribua para um tecido coletivo vivo.
Um mecanismo dinâmico que reconfigura percepções de territorialidade e pertencimento. Ao ser co-criado ou interagido, ele gera espaços efêmeros e novas rotas de significado, abrindo-se para fluxos inesperados e redefinições de identidade comunitária.
Construções poéticas que facilitam tanto travessias físicas quanto simbólicas. Elas atuam como espelhos e portais, estabelecendo geografias de encontro que fomentam a reflexão interior, a projeção de ideias e trocas culturais autênticas entre os participantes.
A concepção visual para o projeto integra expressão artística, sustentabilidade e um profundo potencial de transformação social.
Criamos estruturas metamórficas que facilitam transições de estado e narrativas. As peças são confeccionadas com algodão cru, fibras naturais, sementes e pigmentos telúricos em tons terrosos e verde esmeralda, simbolizando a conexão profunda com a terra e uma vitalidade revolucionária.
Utilizamos bambu regenerativo, papel artesanal reciclado e pigmentos naturais, complementados por sistemas fotovoltaicos. A prioridade é a redução de resíduos, o reaproveitamento criativo, a reciclagem e a biodegradabilidade de todos os componentes.
Sistema multidimensional que mapeia realidades e orienta ações transformadoras, articulando plataformas em uma arquitetura com quatro componentes interconectados: núcleo central, interfaces adaptativas, rede colaborativa e instrumentos de mobilização.
A acessibilidade é o cerne da filosofia Yékit, democratizando o espaço público para todos e transformando as artes cênicas através de uma abordagem inclusiva e inovadora.
Dissolve barreiras sociais e físicas, potencializando uma experiência coletiva profunda e significativa para todos os participantes.
Promove a criação de novas conexões e percepções em espaços compartilhados, estimulando uma visão mais ampla da realidade.
Estabelece uma base que gera uma estética verdadeiramente inclusiva, reconhecendo e valorizando a diversidade humana em sua plenitude.
A acessibilidade é uma linguagem artística revolucionária. Ela expande o vocabulário estético, cria novos significados e democratiza a experiência, celebrando a diversidade como um ato político de resistência.
A diversidade corporal enriquece a experiência estética, desafiando padrões. Corpos diversos em cena e na plateia confrontam o capacitismo, promovendo libertação coletiva e expressão autêntica.
A tradução da experiência para linguagens visual, sonora, tátil e olfativa amplifica a percepção da obra artística. Essa multiplicidade reconecta a arte com cosmologias não-ocidentais e enriquece a experiência sensorial.
Utilização de linguagem clara e acessível, considerando a neurodiversidade do público.
Ações e treinamentos que desconstroem preconceitos e estigmas, promovendo um ambiente acolhedor.
Integração de múltiplos canais perceptivos para criar uma experiência artística rica e acessível.
Implementação de recursos táteis e estímulos para experiências hápticas e multissensoriais.
A obra nos convoca a sermos faíscas de transmutação social, cultural e política, mantendo viva a chama revolucionária.
Este mantra condensa a essência da resistência: uma força cíclica e regenerativa, eternamente pronta para a transformação. Ele celebra a vitalidade da obra e a importância de ações conscientes, ancoradas na memória coletiva, para catalisar revoluções sociais duradouras.
"A faísca desperta a chama que gera o fogo de alume, que tal qual o mato, volta sempre a crescer."